15 de julho de 2013

6º Dia - Cerro Catedral



    Esse foi um dia de muitas emoções, até extremas, posso dizer. O dia amanheceu muito bonito, com sol e muito frio, para variar. Partimos para Cerro Catedral o mais cedo que pudemos, o cerro abre às 09:00, e queríamos aproveitar ao máximo. Para quem não sabe, o cerro Catedral é o cerro mais badalado de Bariloche, com várias pistas para ski e snowboard, desde iniciante até expert, uma vila inteira na base, com shoppings, cafeterias, etc…
    Chegamos no cerro Catedral e fomos procurar um lugar para alugar equipamentos de ski.
Poderíamos ter alugado na cidade, que possivelmente era mais barato, mas a maioria não aceita cartão de crédito, sem contar que teríamos que ficar carregando o equipamento todo no carro. Preferi pagar um pouco mais alugando na base, pois a gente sai de lá, já devolve tudo e volta para o hotel. Achamos uma loja boa bem pertinho, o aluguel de cada equipamento custava $165,00 (pesos argentinos) por dia. 
    Com o equipamento em mãos, fui comprar os ingressos. Na fila, perguntei a um rapaz que trabalha
no cerro como funcionava, e o que teria que comprar para esquiadores iniciantes. Começaram aí as chateações. O lugar é "meio" desorganizado, cada um fala uma coisa diferente, as informações não eram claras. Este me falou para pegar a "Princesa 1 ou 3", sendo que a 3 era melhor. A atendente do caixa não entendeu nada, falava que para iniciantes era para ficar na base (com uma pistinha ridícula, para criancinhas), e que era econômico. Insisti na tal da Princesa 3, e acabei pagando uma boa quantia.  Depois, eu entendi mais ou menos como tudo funcionava. Felizmente, comprei certo, mas perdi um tempão tentando descobrir onde ia para a tal da Princesa 3. 
     O cerro funciona da seguinte forma: 
  • o cerro possui vários teleféricos (as Telesillas). Você tem que saber para onde quer ir, onde tem a zona de ski que você quer andar. 
  • Cada teleférico que a gente pega é um preço. Existem 4, então, quanto mais alto você quer ir, mais caro vai pagar:
    • As Princesas: estas são as mais comuns, de 2 lugares. São 3, a Princesa 1 pega-se na base, a Princesa 2 pega-se depois da Princesa 1, e a Princesa 3 pega-se logo a seguir, cada uma levando mais alto.
    • Amancay, um teleférico de cabine que te leva a um ponto bem acima, perto da Princesa 3; Comprando a Princesa 3 pode-se ir pelo Amancay;
    • Quádruplo que te leva para outra parte do cerro;
    • Sextuplo, com capacidade para 6 pessoas, te leva para outra parte do cerro também.
       Como pedi a Princesa 3, poderia subir bem alto, o custo para os três foi de $ 1500,00. Subimos
pelo Amancay e saímos em um ponto onde tinha um restaurante chamado La Rocca. Ali em frente, uma mini pista para os principiantes, era pequena e íngrime. Eu e Gabriel tentamos descer, mas estava muito cheia. e muito íngrime, não conseguimos direito, mas o jeito era tentar. Gabriel ficou bravo porque não conseguia, mas fazer o que  não é ???? Ele arranjou o que fazer, entrou em uma Telesilla para ir mais alto, em um lugar onde o cerro era mais inclinado, não indicado para principiantes. Detalhe: ele foi sozinho e sem avisar !!! Quando fiquei sabendo onde estava, já fiquei desesperado. A telesilla que ele pegou só pode entrar com o ski no pé, e saímos lá do teleférico já esquiando. Coloquei meu ski correndo e fui atrás dele.
       A medida que ia subindo, o vento começava a ficar muito forte, De repente, começou a nevar, o local que estava indo era muito alto no cerro. Chegando lá, Gabriel estava me esperando no final da descida da Telesilla. Dei uma bronca nele, por subir sozinho, e começamos a descer (ou tentar descer) o cerro até a base onde estava Cris. Gabriel foi na frente, e para variar, não me esperou. Até chegar na base (do La Rocca), deve ter passado quase 1 hora. Nessa 1 hora, eu caí uma centena de vezes, comi muito gelo, o cerro era muito íngrime, e minha cabeça cheia de preocupação com o Gabriel, que já tinha ido à frente. A segurança lá em cima é ZERO, isso mesmo… se
você vacilar, pode passar direto, pode cair e bater em uma pedra (tem um monte por lá), ou até cair em um precipício. Não tem ninguém para restringir onde você pode ir e o que fazer. Encontrei um rapaz brasileiro de snowboard, estava com o pai que também estava na mesma situação que eu. Começou a nevar muito, e pedi para tirar fotos minhas na neve, esquiando…
      Voltei a descer, não encontrava Gabriel, este já devia ter chegado, não sei, mas o fato é que eu caí tanto, que estava até hilário. E a Cris toda hora me chamando no rádio, tinha que parar para atender, e falava que Gabriel não tinha chegado. De repente o rádio cai na neve e sai rolando cerro abaixo… e lá vou eu tentar buscá-lo, escorregando pela neve, e depois subindo me arrastando para pegar o ski que ficou lá em cima…estava até imaginando a Cris (ou sei lá quem mais) rindo lá debaixo da minha situação: levanta, desce uns 10 metros, cai, levanta novamente, desce mais 10 metros, cai de novo…
      Depois de um tempão, cheguei no restaurante, e estavam os dois lá, rindo "a doidado" de mim… imaginei…
      Mas na verdade, não tinha muita escolha. A "pistinha" em frente ao restaurante La Rocca era impraticável, estava entupida de gente. não tinha como esquiar ali. Resolvi subir de novo com o Gabriel, a Cris desistiu de esquiar e ficou no restaurante. Subi com ele pela telesilla e descemos uma parte onde tinha a entrada de outra telesilla, que subia até a altitude de 2000m. Como nesta estava com a marca verde de principiantes (descobri nesta hora uma bolinha verde discreta na placa, ninguém tinha falado nada), resolvemos entrar também e ver como era lá em cima. E foi a melhor decisão. A telesilla nos levou a uma pista de principiantes que ficava justamente na chegada da Princesa 3, a
2000m de altitude, como já falei, essa pista, como era bem alta, tinha pouca gente, pudemos esquiar ali com tranquilidade, em uma pista do nosso nível. Foram várias descidas, até que Gabriel ficou com fome e paramos para lanchar. A Cris estava ainda lá embaixo esperando a gente, e resolvemos descer o cerro novamente (agora com mais calma) para encontrá-la (era o único caminho!). Me preparei mentalmente e começamos a descer. Dessa vez fui com mais calma e com mais atenção. No meio dos tombos que levava, passava uma criancinha numa boa, fazendo zigue-zague… e acabou que fiz o mesmo e a descida foi bem melhor, até que….. estava descendo peguei uma certa velocidade, pois até freando o ski ia rápido, devido à alta inclinação da pista. De repente, surge uma turma de criancinhas (de no máximo 6 anos de idade) passando na minha frente. Não deu tempo de fazer nada, tentei desviar mas acho que meu ski trombou com o ski de uma das alunas e fui para o chão, continuando a escorregar de barriga e comendo gelo por infinitos metros… quando levantei, pedi desculpas, mas não adiantou, o instrutor me deu uma bronca que só pude fazer foi me calar e continuar minha briga com a descida do cerro. A partir desse momento, Cris e Gabriel me apelidaram de "atropelador de chiccas".
     
Apesar da dezena de tombos, a descida foi mais tranquila. Encontramos Cris junto ao restaurante e resolvemos comer lá mesmo, o La Rocca. Esse é um restaurante muito legal, com uma vista maravilhosa para o lago e montanhas nevadas, mas o sistema de atendimento meio precário, você entra e tem que que conseguir lugar lá esperando muito tempo, pois não tem senha, nem controle, o esquema é ficar perto de uma mesa que estão acabando e quando levantarem você já sentar. Só um detalhe bem interessante: os skis ficam do lado de fora, em uns locais próprios para eles, e não tem controle nenhum, você coloca lá e entra para o restaurante, mas todo mundo respeita, e não ouvi falar de ninguém roubando skis por lá.
     Compartilhamos uma mesa com 3 brasileiros, pois a mesa era de 6 lugares, e foi muito legal, pois
conversamos bastante sobre o cerro Catedral. Pedi um a salada Cesar, Gabriel um sanduíche e Cris um Frango grelhado. Tudo muito bem servido. No entanto já era, quase 15:30, e comemos rápido para voltar a esquiar, pois a última subida era às 16:30. A Cris voltou pelo Amancay para ficar na base e nos esperar por lá.
     Subimos novamente até aos 2000m nas pistas de principiantes e descemos umas 2 vezes, até que fecharam e voltamos a descer agora não pelo morro, mas pelas Princesas 3, 2 e 1, pois era muito arriscado voltar a descer aquela parte, principalmente depois que atropelei a "chicca"… não queria que nada disso voltasse a acontecer. Não pudemos esquiar mais, o cerro todo estava fechando, tivemos que descer pelas Princesas com  equipamento em mãos, até que na Princesa 1 estava com uma fila imensa, e o jeito era esperar, enquanto Gabriel ficava brincando de bolas de neve comigo.
     Chegamos na base quase 18:30. Perdi a hora de devolver os cartões de entrada no cerro ($100 de devolução), que era de 17:30. Voltamos para casa para tomar banho e sair para lanchar.

Mamuska e Pista Uno


   
 Nesta noite fizemos uma coisa mais simples. Fomos passear pela cidade à noite e fazer um lanche na Mamuska.Para quem não sabe, a Mamuska é uma deliciosa chocolateria, e que nos fundos existe uma ceonfiteria e uma pasteleria, tudo feito com os chocolates do próprio local. O lanche, pra variar, foi muito delicioso, saímos de lá e fomos à Pista Uno, uma pista de patinação no gelo que fica em plena rua Mitre. Gabriel adorou que tivemos que voltar no outro dia para patinar novamente !
    Esse foi um dia muito legal em Bariloche !