12 de janeiro de 2014

6º Dia - Bike Tour e Praia Brava

      Acordamos cedo, hoje era o tão esperado passeio de bike pelas Praias do Sul. O dia amaheceu lindo, um sol tímido, nuvens finas e esparsas, a chuva refrescou o clima, e as nuvens escondiam o sol um pouco, não deixando o calor dominar. Nossa, foi um alívio ! E pensar que nosso passeio de bike não teria mais por causa da tempestade de ontem !

      Pegamos e fomos de carro pelo Rio Vermelho, uma estrada alternativa que passa pela reserva de mesmo nome, e que nos afasta do centro. Achamos com facilidade a sede do Caminhos do Sertão, no bairro de Campeche, onde nossa anfitriã Marcella nos esperava já com as bicicletas pré-preparadas. Nos preparamos e testamos as bicicletas, para fazer os ajustes finais, e até trocar por outras até atenderem melhor a todos. As bikes são muito boas, todas em ordem, com pneus em bom estado, marchas funcionando perfeitamente, todas lubrificadas. 

     Nosso guia foi o Sérgio Fregolão, uma pessoa meio "maluca" (no bom sentido). Ele é apaixonado por bicicletas e já fez de tudo na vida, até escalou montanhas. Hoje em dia ele vive viajando o Brasil todo de bicicleta, vai de Floripa para o sul da America Latina, vai para Mato Grosso do Sul, e qualquer outro lugar que possa ir, ele vai de bicicleta. A bike que ele nos guiou era toda montada por ele mesmo, retirada de um ferro velho e reformada, uma antiga bicicleta de corrida (acho que uma Caloi 10), com pneus lisos e finos, sistema de marchas originais, etc.. com ela ele vai a qualquer lugar que queira. Um exemplo para qualquer um, não podíamos ter um guia melhor.

      Começamos nosso passeio passando pelo bairro e indo em direção ao litoral. Paramos logo onde o Sérgio nos deu algumas explicações sobre o local, e a praia. Logo depois, partimos novamente e chegamos ao nosso primeiro desafio: o Mosteiro Vila Fátima, com uma subida "caprichada" na entrada, pois fica em cima de um morro (o Morro das Pedras). Cris e Gabriel não aguentaram e tiveram que empurrar, pois não sabiam ainda como passar as marcas das bicicletas corretamente. Lá em cima, uma equipe de filmagem completa estava fazendo alguma coisa por lá, não soubemos o que era. O Sérgio nos explicou a história do Mosteiro e também das praias que iríamos ainda passar. A vista é linda, ótima para fotos. 


     A descida do Mosteiro foi mais fácil, mas eu sempre preocupado com o Gabriel, tinha que ir "na cola" dele. Continuamos nosso passeio pela estrada que beira o litoral, sempre desfrutando da paisagem. Logo a frente, paramos novamente no Parque Municipal Lagoa do Peri. É um parque público, com uma lagoa imensa, considerada como uma das maiores lagoas de água doce que existem.  Uma curiosidade que o Sérgio nos falou é que a maior parte da água da lagoa provém do orvalho da mata que a rodeia. Frequentada mais por famílias, a lagoa é muito bonita mesmo, possui aluguel de caiaque, stand up paddle e pedalinho. Fizemos uma parada lá para tomar banho na lagoa, mas Cris e Gabriel não quiseram, fomos apenas eu, Sérgio e Marcella, os dois ficaram na beira da lagoa nos esperando e tirando fotos. A água estava uma delícia, quentinha. A área de banho é demarcada por bóias, e quem ultrapassar salva-vidas à postos já mandam retornar. Aproveitamos e comemos lichia que o Sérgio trouxe, nunca tinha comido uma e gostei também.
        Saindo da lagoa, fomos por caminhos alternativos beirando a lagoa, por trilhas de terra e de areia entre a mata nativa da região. Saímos em regiões mais rurais , onde habitam mais pessoas humildes e originárias da região, e sempre em estrada de terra. A trilha é de fácil trânsito, de terra batida, onde passam carros e até ônibus, tendo que ter muito cuidado com alguns trecho com muitas pedras soltas. Em um desses trechos, em uma descida, eu, Sérgio e Gabriel nos afastamos um pouco da Cris e Marcella, e senti que as duas estavam demorando muito. Resolvi voltar e fiquei preocupado, pois estavam muito atrás mas não deveriam. Quando as avistei fiquei sabendo que a Cris levou um tombo, mas já estava bem, pois a mata amorteceu a queda e ela nada sofreu.

      Continuamos o passeio até chegarmos na praia da Armação, a mesma que nós pegamos o barco para a Ilha do Campeche. Lá fizemos um pequeno lanche (banana e pão de queijo) que a Marcella nos trouxe, tomamos água e fomos tirar fotos entre as praias de Armação e Matadeiro. Depois, continuamos nosso passeio até a praia do Pântano do Sul, entrando nela pela parte mais ao sul da ilha. Gostei muito dessa praia, estava calma (acho que nem sempre é assim), poucas ondas e muita areia. Estava um pouco vazia, talvez por causa do tempo. Fomos pela areia até o início da praia, na outra ponta, onde fizemos outra parada, desta vez para o almoço.
      O almoço estava programado no Bar do Arantes, um restaurante tradicional da região, fundado em 1958, possui cada centímetro (pelo menos caminha para isso) de suas paredes cobertas por bilhetinhos escritos pelas pessoas que vão almoçar lá. A história dos bilhetinhos vem de muitos anos atrás, o Sérgio nos contou, mas sugiro que cada um pesquise, para que eu não me perca nessa postagem.  O restaurante possui o sistema de buffet e também a La Carte, e a especialidade é de frutos do mar. O buffet é muito bem servido, muitas variedades de peixes, ostras, pratos com polvo, pescados, etc... eu fiquei perdido, o máximo que tinha para quem não gosta de peixe era um ovo com molho rosé, e não tive escolha, peguei um pouquinho de peixe espada empanado, arroz, farofa e salada. Gabriel também estava perdido mas acabou pegando uma pescada tipo parmegianna. A Cris se deu bem.




     Mas mesmo assim o almoço foi muito gostoso, e com companhias excelentes, não podia ser melhor. Deixamos nossos bilhetinhos por lá também. Por favor, quem for por lá, tirem fotos e nos mostrem para sabermos que ainda estão lá ! Colocamos no portal entre onde se serve o buffet e as mesas do fundo da loja (veja as fotos deles ao lado)! 

     Durante o almoço, o sol resolveu nos mostrar toda a sua força. Saiu sem cerimônia, e deixou todos com preguiça de voltar, com barriga cheia ainda precisávamos pedalar mais uns 13 km de volta à sede do Caminhos do Sertão. O banco da bike também não ajudou, começamos a sentir tudo (tudo=nádegas) dolorido, principalmente depois de sentarmos nas cadeiras mais confortáveis do restaurante, e depois voltar para os bancos das bikes...

      A volta foi bem mais rápida, mas o sol não deu trégua, os termômetros das ruas marcavam 32ºC na hora que voltávamos para casa, depois das 16:00hrs. devia estar bem mais quente quando saímos do restaurante. tudo foi bem tranquilo até uma subida pela BR já não muito longe de nosso destino, logo em frente ao Mosteiro. Cris não conseguiu segurar a bicicleta e caiu, mas novamente ela conseguiu se segurar e abraçou o guard rail, não sofrendo muito mais do que alguns arranhões. Fiquei junto do Gabriel (subindo a ladeira) enquanto a Cris era socorrida e neste mesmo instante, ele também perdeu o controle e bum.... caiu, ficando parte do corpo dentro da pista. Mandei logo ele rolar para o acostamento e corri para levantá-lo. Ralou o joelho e ficou mancando, querendo voltar a pé (pode???). Finalmente, sentou na bike novamente e voltamos (faltava pouquíssimo e achamos que não era necessário pegar o carro), era mais descida. 

      Já chegando bem mais perto, faltando uns 3km entramos em uma praça para cortar caminho (a mesma da ida). Cris novamente se descontrolou e acabou descendo o meio-fio e caindo da bike. Dessa ves foi mais sério, bateu com a perna e o cotovelo no chão, se ferindo mais gravemente. Mesmo assim deu uma crise de riso nela que todos ficamos rindo junto. Resolvemos então buscar o carro de apoio na sede, ficando eu, Gabriel, Cris e Sérgio (nos contando várias aventuras dele) na praça. Cris e Gabriel voltaram de carro e eu terminei o passeio com o Sérgio. Rodamos um total de 35 Km de bike.

      Voltamos então para o carro, e Gabriel queria pegar uma praia (não quiseram ir na praia nem na lagoa no passeio de bike!?), e fomos para a praia Brava, no extremo norte da ilha, a uns 30km de distância. Felizmente, devido à hora, não pegamos trânsito, e como o sol se põe na ilha depois das 20:00, chegamos com o sol bem alto na praia. 

       A Praia Brava é rodeada por condomínios muito bonitos. Estava dificil de estacionar, mesmo no horário que chegamos, mas consegui um estacionamento rápido. No caminho, em cima de um morro, existe um mirante onde você pode saltar de parapente (acho que o preço é de R$ 170,00), a praia fica cheia de parapentes, e eles normalmente descem na praia mesmo. 
      Escolhemos um lugar, alugamos uma cadeira e um guarda sol (R$ 7,00 cada, mas o rapaz me fez por R$ 5,00), fui comprar lanches para Cris e Gabriel na única barraquinha do final da ilha, que mesmo assim era bem caprichada em termos de lanches e de serviço. Apesar da fila, fui muito bem atendido.  Fomos jogar frescobol, Gabriel estava ancioso, pois tínhamos comprado um para ele ontem e não tinha tido tempo para jogar. Logo depois pulamos na água, geladíssima também, mesmo assim nem tanto quanto a de Campeche. As ondas estavam boas, dava para "pegar uns jacarés", mas a praia puxa forte também, alguns trechos com banco de areia nos permitia ir até onde as ondas quebravam, mas sempre mantive Gabriel por perto.
      Depois de um bom tempo, comecei a sentir frio. Acho que a mudança brusca de temperatura me fez mau, saí para comprar um milho enquanto observava Gabriel que continuava nas ondas. O sol se pôs às 19:25, e essa foi a hora que Gabriel saiu do mar, mesmo porque eu tive que chamá-lo, e sob protestos. 

      Gabriel estava com fome de Pizza, então fomos em uma das pizzarias mais famosas de Floripa: a Basilico. É uma pizzaria que fica no Canto da Lagoa e muito fácil de achar, tem até um estacionamento próprio. O ambiente é super agradável e não precisamos esperar muito, as pizzas são deliciosas (pedimos uma grande, 2/3 calabresa, 1/3 abobrinha com queijo brie) e as sobremesas divinas (eu pedi um Petit Gateau de Doce de leite, Gabriel um Brownie e Cris uma torta de maçã), o atendimento é VIP, e ainda tem suco de uva orgânico !  Saímos de lá 23:30, e não tenho a mínima idéia de como eu consegui dirigir até em casa, estávamos todos extremamente cansados, e morrendo de sono. Mesmo assim, paramos no mirante da lagoa para olhar a vista e tirar umas fotos, realmente, a lagoa é linda, de dia ou de noite !