2 de fevereiro de 2017

Chile - Entrando com Papinhas Congeladas






      Obs.: as informações abaixo são fruto de nossa experiência em nossa recém viagem a Santiago. Não significa que será a mesma para todos. Podemos ter tido sorte, apenas.


     Quem tem neném novo, e viaja com eles sabe como é a dificuldade de mudar a dieta dele em uma viagem. Os bebês normalmente são muito sensíveis às mudanças. Essas papinhas industrializadas não são nada saudáveis e menos gostosas, não são todas as crianças que gostam delas e muitos pais não gostam de oferecer (como nós).


      Então, em viagens, você normalmente tem 3 opções:
  1. Oferecer comida de adulto, o que nem sempre é aconselhável, seja por causa do tempero (se for outro país então...) ou pela textura da comida não ser adequada à criança, que às vezes nem dentes possuem ainda. Não é todo lugar que você tem disponível algo similar a uma papinha ou sopa. Além disso, o horário também é importante, o bebê tem horários certos e não é sempre que é igual ao que você come;
  2. Fazer a comida no hotel. Para isso, seu hotel tem que ter uma cozinha, fogão, utensílios. A não ser que você leve tudo na mala. Além disso, você vai perder um bom tempo, pois tem que ir no supermercado fazer as compras e ainda cozinhar no quarto do hotel, etc...
  3. Papinha Congelada. É o mais prático para uma viagem. Hoje vende-se por aí papinhas congeladas saudáveis e balanceadas para bebês, distribuídas em potinhos. Basta descongelar e esquentar em um microondas e servir.
     Para viagens nacionais isso é fácil, mas nas internacionais isso já é um pouco mais complicado, os países normalmente proíbem a entrada de alimentos que não são industrializados nos países, como frutas, plantas, carne, etc... 


A nossa experiência

     Em nossa viagem a Santiago (janeiro/2017), estávamos com a Bia, que tinha 1 ano e 3 meses de idade, e gostamos muito de oferecer para ela sempre comidas saudáveis, fazemos nós mesmos as papinhas que damos para ela em casa (quase todas). São poucas as vezes que ela come outro tipo de comida, a não ser que não tenha opção. 

     Dessa forma pesquisei muito sobre a possibilidade de levar alguns potes de papinhas congeladas para ela. Oferecer comida com tempero local não sabia se seria bom, mesmo porque não saberíamos o que iríamos encontrar. Resultados da pesquisa:
  • Em todos os blogs que achei, os comentários sobre o assunto era que era proibido levar papinhas congeladas;
  • Liguei na LATAM para me informar se poderia levar e como seria o armazenamento delas para despachar) e o atendente não sabia de nada. Começou a me dar aquelas instruções básicas do que levar na cabine do avião, quantidade de líquido, etc... quando deixei mais claro que era para despachar, pesquisou na internet e me deu instruções sobre certificado Fitosanitário, coisas que pelo que entendi é aplicado à exportação de produtos...
  • Liguei então na embaixada do Chile aqui em Brasília. A senhora que me atendeu foi clara, direta e taxativa: não pode entrar com nada no Chile. Me sugeriu até a comprar papinhas nestlé por lá.
    Já tínhamos comprado todas as papinhas, para os 9 dias que passaríamos lá, e a Cris resolveu (de véspera) que iríamos levá-las sim. Com isso, decidi também que faríamos da forma mais transparente possível, declarando os alimentos e evitando qualquer multa. Assim, se não aceitassem a entrada das papinhas, simplesmente nós as descartaríamos (e não eles a nós!).


Como levamos

Preparação das Papinhas
     A viagem era longa, as papinhas ficariam na mala por cerca de 12 horas até finalmente chegarmos em Santiago. Sei que é muito difícil preservar a refrigeração por tanto tempo, mas tentei fazer o melhor, e quando chegássemos no hotel, a primeira coisa que faria seria colocá-las no congelador.
     Acondicionei todos os potes em uma bolsa térmica que tínhamos, colocando entre elas placas de gel congelado (que podem ser compradas em farmácias). Este gel é mais consistente e demora mais a descongelar. Deixei também de véspera a bolsa térmica preparada e aberta no freezer para que todo o conjunto já saísse daqui bem refrigerado.

     Coloquei a bolsa na mala junto com as roupas para despachar, não levei na mão porque passaria pelo Raio-X e não deixariam embarcar na mão.


Em Santiago

      Chegando em Santiago, ainda no avião, distribuíram aquela folha de imigração. Lá eu marquei que estava levando alimentos comigo. Como disse acima, não queria correr o risco de levar uma multa ou até ser rejeitada nossa entrada. Fui o mais honesto possível.

      Ao desembarcarmos, passamos pela imigração, que carimbaram nossos passaportes sem nenhuma pergunta. A agente foi bem gentil conosco e até com a Bia.
      Logo depois chegamos na área das esteiras, onde nossas malas já estavam circulando. Pegamos todas as malas e entramos na saída preferencial. Ali havia um rapaz estava recolhendo os papéis distribuídos no avião. Ao entregarmos o nosso, ele deu uma olhada e comentou alguma coisa sobre a declaração dos alimentos, e eu simplesmente respondi no mais claro portunhol: "papitas conjeladas" (não riam, não sei nada de espanhol). Ele entendeu, falou OK e fomos colocar as malas na esteira de raio-X, que passaram e ninguém falou nada, não pediram para abrir, não perguntaram o que eram os potes, nada. Recolhemos as malas e fomos embora.

     Chegando no hotel, as papinhas ainda estavam bem congeladas. Claro, deu para ver que não estavam como quando ficam no freezer, o que é normal pois a temperatura não é igual, mas não chegaram a descongelar. Levamos uns 14 potes e ainda voltamos com 2 (muitas vezes a Bia não quer comer ou só quer comer o que estamos comendo). Não tivemos problema na volta também. Aliás a entrada no Brasil foi até mais tranquila que a ida. Tinha uma maçã na sacola que não me lembrava e ninguém nos perguntou nada sobre alimentos.


Conclusão

     O que tiro com tudo isso é que se você realmente necessita levar papinhas para seu(ua) filho(a) em uma viagem, pesquise sobre essa possibilidade. Tenha em mente os prejuízos que possa ter e veja se vale a pena. Além de tudo, seja honesto, declare o que está levando e deixe na mão de Deus.
     Se não der, paciência, tenha um plano B para caso isso aconteça. Meu plano B era preparar as papinhas no hotel mesmo.

     Boa sorte !!!